27.4.10

Andanças

Dia de sol, passeio pelo Parc Lafontaine. Fotos em preto e branco, como se fossem registro do que está por se tornar passado. Muita gente estendida nos gramados, os personagens se multiplicam. Os loucos itinerantes estão lá, com suas guitarras desafinadas. As bicicletas se espalham por todos os espaços. A cidade é realmente um vila histórica de ciclistas. Fotógrafos de fim de semana buscam os seus modelos e os seus objetos.

O percurso segue pela rua Rachel, no coração do Plateau Mont-Royal e do Pequeno Portugal. Pausa na padaria para um soberbo pastel de nata. Essa iguaria é conhecida no Brasil como pastel de Belém, talvez porque uma padaria centenária de Portugal, que também tem o nome de Belém, produza os melhores exemplares do divino doce.

Mais adiante, há outra padaria com uma fila imensa. Fiquei curioso e reparei, pelas vidraças, que em todas as mesas havia o mesmo prato. Esse comércio se adaptou ao gosto local, adicionando ao frango assado português as batatas fritas norte-americanas. As caixas térmicas, para comer no local ou levar para casa, são sucesso e mantêm a casa cheia.

Chega a rua Coloniale. Lembro de Nely Arcand, a escritora que morava por alí e que se suicidou há pouco tempo. Pelos seus livros, pude entender um tanto do que se passa na cabeça das pessoas de Montréal. Compreender um tanto dos jovens profissionais, artistas, atores, músicos e comunicadores que habitam e circulam pelo Plateau Mont-Royal. A morte dela foi uma grande perda para a cultura do Québec.

Passo pela praça de Portugal e vejo, na vidraça do café luxuoso que fica em frente, um cartaz da Copa do Mundo 2010. Gostaria de ver essa festa, especialmente se o Brasil ficar em boa colocação. É a hora em que as bandeiras das nações que compõem o Canadá se desvelam. É o tempo em que americanos do sul e do centro se reúnem em torno time que melhor os representem. Talvez não esteja na cidade para ver o movimento e isso me trouxe uma ponta de tristeza.

A minha destinação fica no mesmo lado da calçada, o Les Bobards. Minha amiga Gabrielle, co-organizadora do evento que vai reunir gente que fala português, espanhol e francês, já está na mesa onde tradicionalmente nos reunimos. Ela havia chegado cedo, saiu do trabalho direto para o bar. Ela rabiscava alguma coisa em um pedaço de papel. Seu espírito criativo estava a falar, acho que eu interrompi. Começamos a falar em francês para a seguir mudar para o português. Minutos depois as pessoas começam a chegar. Adicionar o espanhol ao encontro atraiu muita gente.

No clima

Quase na metade da primavera, cai chuva e neve em Montréal. Aff.

19.4.10

A força da palavra

Há vários anos, eu trabalhei em uma cidade do interior da Bahia. Meu primeiro emprego, eu estava feliz da vida em trocar a vida da cidade grande, no litoral, por uma cidade distante, perdida no mapa e sem praias.

Fiz vários amigos, as pessoas daquela cidade me surpreenderam pela simpatia e facilidade de fazer a aproximação. Vários conservo até hoje, me comunicando à distância, via MSN, Orkut, ou qualquer outra facilidade da informática.

Ontem conversava com um dos melhores amigos que fiz naquela época. E ouvi - quero dizer, li - pela tela do computador, coisas que não imaginava.

Ele atualmente possui uma lan house na cidade e possui a sua graduação e pós-graduação em uma Faculade local. Ele me disse que devia tudo a mim. Fiquei surpreso e perguntei por que ele atribuía isso à minha pessoa.

Ele me disse que eu o havia incentivado a estudar. Na época eu ensinava inglês na cidade e estava mais consciente do que nunca do valor da educação. Eu notava que ele era um rapaz inteligente e trabalhador, mas tinha uma deficiência enorme, principalmente em português, fruto do ensino deficiente da rede pública na cidade.

Eu disse que ele deveria investir nele e estudar mais, que ele era inteligente, que ele era capaz. Na época, ele me disse que não era preciso, que tinha um bom emprego, e que, pelos padrões da sua família, ele já havia conseguido muito, pois entre os seus pais e irmãos, ninguém havia estudado muito.

O tempo passou, mudei de cidade, a gente continuou a amizade. O rapaz acabou por perder o seu emprego, mas nunca ficou parado, sempre se virou bem. Foi a época em que veio a febre da instalação das universades particlulares pelo país adentro. A cidade já possuía universidade pública estadual, mas outras particulares se instalaram.

Ele decidiu voltar a estudar e entrou na Faculade de Administração. A cabeça se abriu mais e ele resolveu ser empreendedor. Com o dinheiro dos seus empregos anteriores, comprou alguns computadores, reformou a garagem da casa herdada dos pais - e compartilhada com os irmãos - e montou uma lan house. A localização da casa, no centro da cidade, ajudou para o sucesso do empreendimento.

Ele concluiu o curso e, não satisfeito, fez ainda uma pós-graduação. A sua pequena empresa vai bem, ele já montou uma casa para sua filha e a colocou em uma escola particular. Agora ele está pensando em estudar inglês para que, quem sabe, eu não duvido nada, ele possa fazer um mestrado.

Pela comunicação via MSN eu pude comprovar que o português do meu amigo melhorou de forma impressionante. Eu disse a ele que eu não tinha nenhuma responsabilidade no seu sucesso, que tudo era resultado do seu esforço. Mas ele insistiu que as palavras que eu tinha lhe dito fizeram mais sentido do que eu imaginava. Ele me disse que as palavras de encorajamento que a gente diz para uma pessoa ficam sempre marcadas na memória. Ele me disse ainda que, quando se deparava com dificuldade nos estudos, ele lembrava sempre: "não posso decepcionar o meu amigo, ele confia em mim". Confesso que fiquei alguns instantes sem respirar, com as lágrimas insistindo nos meus olhos.

E, para completar, ele disse que convenceu duas de suas irmãs a estudar. Elas agora também estão fazendo cursos superiores. Eu disse a ele que isso era resultado do círculo virtuoso da educação. Eu ganhei o dia.

7.4.10

Boulettes

Hoje Montréal amanheceu cinzenta e chuvosa. Peguei chuva nos cinco minutos - que pareciam uma eternidade - de caminhada da estaçao do metro até o meu destino. O guarda-chuva nao foi suficiente e fiquei com as canelas ensopadas.

O Canada sempre me traz novidades climáticas. No meu trajeto na chuva, vi pequenas bolas brancas se mexendo no chao. Pequenas e redondinhas, misturadas com as gotas de chuva que salpicavam a calçada. Meio lento como sou, início de manha, nao entendi nada, quase achei que era alucinaçao. Elas pareciam bolinhas de isopor. Depois percebi que elas vinham do céu e que o barulho da chuva estava mais forte sobre o meu guarda-chuva. Granizo!

2.4.10

Verde

Início de abril e a temperatura chega a 25 graus em Montréal. Melhor acolhida impossível para os turistas que vieram aproveitar o feriado de Páscoa. A cidade está em clima de festa. E pensar que, em abril de 2007, primeira vez no Canadá, as temperaturas estavam abaixo de zero. Algo está realmente acontecendo no planeta Terra. A neve demorou de chegar, só apareceu no final de dezembro e foi embora antes de março começar.

No parque Lafontaine a temperatura de 25 graus convive com as últimas barras de gelo que vão derretendo. Os patos saíram da toca e nadam pelas poças do grande lago, que só estará cheio quando o tempo se firmar.

As árvores começam a reviver e plantas vão brotando, mas ninguém espera. Todo mundo já está com a toalha, cobertor ou esteira estendida no que deveria ser um gramado, mas ainda é apenas terra e raízes. O verde brilhante da grama ainda está por aparecer.

Gente fingindo que está lendo um livro, mas está mais interessada no movimento. Gente jovem reunida em torno de garrafas de cerveja e vinho, devidamente escondidas em sacos de papel e mochilas. Restos de sanduíche fazendo a alegria dos esquilos. Gente jogando cartas, gente jogando jogos orientais, gente namorando, gente batucando, gente tocando violão. É primavera, n'est-ce pas?

24.2.10

Flocos

A neve cai por detrás da parede envidraçada. Aqui dentro a água continua morna, é um óasis de calor sob o manto branco e frio que vai se formando. Os flocos caem suavemente, sem pressa, e montam um espetáculo tranquilizante. Gosto de estar aqui, no meu recanto público que tornei particular.

9.1.10

25.12.09

Merry Xmas

Ainda bem que a salada de Natal ficou bem gostosa. A partir de uma receita simples de salpicao, feito com batatas, adicionamos outros ingredientes. Fiquei com medo de ter carregado no alho em pó, mas o resultado ficou muito bom. Os condimentos secos nem sempre sao fáceis de serem utilizados, pois os sabores estao concentrados.

O jantar de teve peru com molho de laranja e mostarda, carne assada em estilo brasileiro, porco assado, arroz temperado. Muito vinho espumante com licor de cassis. Coquetel de líchia. Vinho tinto. Uma farra. Para completar, pesquei uma garrafa de Amarula na brincadeira de amigo ladrao.

Natal quase sem neve em Toronto, com temperaturas acima de zero. A pouca neve que caiu já derreteu.

6.12.09

Manha

Colocar o casaco, gorro, luvas, sair para tomar um café logo pela manha, ler calmamente o jornal do domingo, enquanto a cidade acorda. Isto é Canada. Os senhores se reúnem para um bate-papo amigável. Tem gente que fica em frente do computador, trabalhando ou estudando, olhando o movimento na rua. Estao todos sós, temporariamente ou definitivamente, mas estao cercados de gente, do cheiro de café e de pâtisseries. A cafeteria é mais aconchegante do que a mudez em frente à televisao ou internet.

20.11.09

Perfeita (in)definiçao

''Os chineses se perguntam sobre Obama. Não sabem se é a cara amável e momentânea de uns EUA debilitados pelos disparates de Bush e pela crise econômica, ou o novo rosto de uma superpotência adaptada a um mundo mais equilibrado e multipolar.'' Do El País.

4.11.09

Reta final

Livre da matéria mais pesada do curso. Tâches de fin d'année. Tarefas de fechamento e reabertura de balanços anuais. Uff.

3.11.09

Quelques minutes

Alguns minutos antes do intervalo da aula. Antes da merenda. Prova depois do almoço. Em breve termina. O curso passa rápido demais.

3.10.09

Los hermanos

Show do Bajofondo em Montréal. No Le National, na avenue Sainte-Catherine. Teatro antigo, parecendo alguma casa de espetáculos de Buenos Aires. Ótima escolha para apresentaçao, tudo ficou no clima. Encontro a argentina M., minha colega do curso de francês escrito. Ela havia visto esse mesmo show, Mardulce, em sua cidade natal, Neuquem.

Eu nunca tinha ouvido falar nessa cidade. Ela fica no sul da Argentina, bem próxima do Chile e é uma cidade de porte médio/grande, tem em torno de um milhao de habitantes.

O show foi animadíssimo. Houve uma parte mais intimista, somente com bandonéon e instrumentos de corda. Mas quem falou forte foi mesmo o tango eletrônico. Valeu cada huard (dólar) pago.

27.9.09

Antes do tempo

Ainda estou de boca aberta. A minha escritora favorita no Québec (há um link aí ao lado para a sua coluna semanal no jornal Ici) simplesmente cometeu suicídio. Aos 36 anos de idade. É, desde a época romântica tem escritor e poeta que faz isso. Pelo jeito, o hábito nao mudou.

Ela publicou 3 livros, dos quais eu li dois, e o quarto já está pronto, mais ainda nao foi lançado. Curiosamente, o este último trabalho fala sobre o direito ao suicídio. Que coisa.

Ela era uma mulher muito bonita, chegou a ser prostituta antes de terminar o seu mestrado em literatura. A sua experiêcia aparece em parte no seu primeiro livro, «Putain». Mas ela parecia ser uma alma sensível e atormentada, principalmente pelas questoes femininas da beleza, do desejo, da seduçao. É mesmo uma pena. Bon voyage, Nelly Arcan.

23.9.09

Rotina

Nesta minha fase de estudante, a quarta-feira é o dia favorito. Aula só até 12h30. Isso porque passei em todas as matérias e nao preciso fazer recuperaçao, prevista para a quarta à tarde. Depois almoço e soneca. Internet. Talvez natacao mais tarde. Ih, preciso comprar algumas coisas para casa. Pao, leite, geleia, essas coisas.

17.9.09

Au travail

Terminando o primeiro estágio. Aproveito o finalzinho do último dia para arrumar as idéias. Nao é moleza trabalhar em outra língua. Existem as diferenças culturais, existem pessoas que falam muito rápido, de forma ainda quase incompreensível para mim. De forma geral os ambientes sao muito silenciosos. Tenho a impressao que o brasileiro gasta muita energia durante o trabalho por falar demais, em vez de ficar mais tempo em silêncio, se concentrando ou apenas relaxando.

Aqui se trabalha com mais calma, mas a forma de labutar nao muda muito. Sao utilizados os mesmos velhos programas de computador, basicamente a suíte Office: Word, Excell, Powerpoint.

O que pega mesmo é a língua. Que falta me faz poder escrever corretamente com rapidez, poder argumentar com facilidade, poder falar ao telefone tranquilamente. Ainda vai levar algum tempo para que as atividades sejam feitas de modo mais fácil. O conhecimento técnico é muito importante, mas só quando a gente deixa a língua natal, percebe como a comunicaçao é parte fundamental do trabalho.

26.8.09

Com açúcar, com afeto

Que belo filme é Julie & Julia. Meryl Streep é Julia Child e Amy Adams é Julie Powel. É a adaptação da diretora Nora Ephron, a partir de dois livros de memórias: Julie & Julia, de Julie Powel, e My Life in France, de Julia Child com Alex Prud’homme.

Julia Child é um clássíco da televisão americana. Foi ela quem se prontificou a ensinar as receitas da cozinha francesa aos americanos, depois de ter passado uma longa estadia na Europa. Julie Powell, por sua vez, apaixonada pela culinária e aborrecida com o seu trabalho de escritório, cria um projeto para obter visibilidade e sucesso: cozinhar, durante 365 dias, mais de 500 receitas de Julia Child, com todas as alegrias e pecalços relatados em um blog.

É um filme que consegue emocionar, sem desandar para qualquer tipo de dramalhão, interligando as histórias de duas mulheres apaixonadas pela cozinha, cada uma com os seus objetivos. Fica bem clara, e isso não é nenhuma novidade, a estreita relação entre a culinária e o amor.

25.8.09

Entre línguas

Fini l'examen d'anglais. Ouf! Imagine, mal dominando o francês, ter que traduzir termos técnicos do inglês para o francês. Olha que loucura: fournitures (móveis, inglês; material de escritório, francês). Se o texto estiver em inglês, a traduçao de fournitures para o francês entao será meubles. E, nao tem como escapar, o raciocínio sempre vem em português. :-P

22.8.09

Volta, vem viver outra vez nos meus braços

Eu preciso voltar a escrever. Preciso pensar em português.

It's english now

Eu adoro o sotaque dos anglófonos do Québec. Do Québec, não, de Montréal. Pois só em Montreal se fala inglês no Québec.

O sotaque inglês do Québec é alguma coisa diferente da pronúncia anasalada (e chata!) americana e da impostação inglesa. É um sotaque simplesmente lindo. Adoro. Ouça Leonard Cohen para saber do que estou falando. Eu adoro a língua inglesa.

9.8.09

Andanças

Hoje eu vi o verde. Hoje eu vi os rastros espalhados na grama. Vi litros de alegria e preguiça. Hoje eu ouvi o som que vem do tempo. O som que vem da longevidade. Ouvi palavras estranhas, mas que me parecem familiares. Ouvi sons que me emocionaram, que disseram mais a mim do que o que tentaram me impor, mais do que era acreditado e cultuado. Vi imagens de um tempo perdido, imortal, atemporal, que os anos não levam embora. Eu comecei a ver cores nos espaços onde elas costumam não estar. Vi coisas que pareciam ocultas, mas que estavam sempre debaixo dos meus olhos, sem que eu me desse conta. Eu vi e ouvi segredos bem guardados. Senti que tempo e espaço são relativos, que as belas palavras são imortais, que as cores são infinitas e que as emoções não são culturais, são humanas. Sei que tudo faz parte de um equilíbrio delicado. Sei que tudo muda, sei que cada etapa tem o seu tempo, mas gostaria de prolongar as cores do verão.

Vi e ouvi o show de Leonard Cohen na televisão pública de Vermont. O velhinho de Montréal joga duro. Gostei mais do que qualquer outra coisa francófona que já ouvi antes. Sorry, mes amis, mas música, ah, música, isso é em inglês.

13.7.09

Em Toronto

Eu viajei para o Canada. Estou em Toronto, na casa dos meus amigos R & B. Quando se sai do Quebec, tem-se a impressao de mudar de pais, jah que se muda de lingua. Toronto tem mais ar de metropole que Montreal. Eh maior, tem predios altissimos, muitas e muitas construcoes. A cidade eh um canteiro de obras. Crise? Que crise?

A greve dos lixeiros estah corroendo a imagem de cidade limpa e bem cuidada, mas Toronto ainda guarda os seus encantos. A orla do lago Ontario eh bem bacana, no domingo muita gente passeava por lah, aproveitando o sol de verao.

Os meus amigos tem uma cachorrinha Bulldog que chama a atencao na ruas. As pessoas param, acariciam, chegam ateh a tirar fotos! O canadense medio parece gostar mais de animais do que de gente.

Comer fora em Toronto estah mais em conta do que em Montreal. Na Yonge Street, uma das principais arterias da cidade, varios restaurantes orientais oferem cardapio a 6 dolares (antes das taxas). Dah para comer sushi super-bom e barato. Uma festa para os olhos, para o paladar e para o bolso. Menos para a silhueta.

7.7.09

Casa nova

Após a semana de mudança de casa, alguns dias de descanso, que ninguém é de ferro. O novo apartamento é pequeno, mas tem tudo. O condomínio disponibiliza até Tv a cabo, e eu nem sabia. Consigo também conectar na iternet via rede sem fio. O sinal não é grande coisa, interrompe com frequência, mas dá para ler os e-mails, os sites de notícias, ir no Orkut, Facebook, etc.

Daqui dá para ir a pé para quase todo canto da cidade. Como o endereço fica bem no centro, em um raio de 30 minutos de caminhada é possível chegar nos pontos mais interessantes de Montréal. Isso inclui a Place des Arts (onde acontece o Festival de Jazz), a rue Saint-Catherine, o Plateau Mont-Royal e o Parc Lafontaine.

Apesar de ser uma cidade grande - a região metropolitana conta 3 milhões de habitantes -, Montréal é tranquila, como todas as cidades do Canadá. Aqui na rua, mesmo sendo região central, mal passa uma pessoa pela calçada. De vez em quando é que passa um carro. Imagine no inverno. Vai ser um paradeiro total.

16.6.09

Números, números, números

Desde janeiro em aulas, a minha cabeça começa a liberar tênues sinais de fumaça. De tanto lidar com números. Esta semana está uma dureza só. Deveríamos estar de férias, mas a escola decidiu empurrá-las para julho. Entao estamos com vários testes e exames acumulados. O adiamento da folga tem seu lado bom porque julho é o mês em que tudo acontece em Montréal. Os festivais, as festas, as piscinas externas, pernas de fora, turistas e o calor.

Até aqui foram quase seis meses ininterruptos de aulas, seis horas por dia, somente intervalos de 5 minutos a cada hora e mais uma hora de almoço. Tem uma hora que isso cansa. Percebe-se uma leve irritaçao coletiva na sala.

Mas, felizmente, ainda existem dois feriados até as férias começarem. Dia 24, Sao Joao, que é padroeiro do Québec. É a festa nacional da província que se considera uma naçao dentro de outra. E o dia primeiro de julho, que é a data nacional do Canadá.

14.6.09

La quarantaine

Comemorei o meu aniversário acompanhado das festividades na avenida do Mont-Royal, a rua onde moro. Foi uma feliz coincidência, pois da varanda dá para ver tudo o que está rolando na "Nuit blache sur le tableau noir", uma festa de rua com apresentações artísticas, música, quiosques dos restaurantes e mesas dos bares nas calçadas. Uma mistura de festa de largo da Bahia com feira livre, na qual as lojas, bares e restaurantes aproveitam para fazer promoções dos seus artigos e aumentar as vendas.

Quase todo mundo que convidei veio bater ponto. A maior parte de brasileiros, mas havia gente do Québec, iranianos, turca, filipina, ucraniano, jamaicana, mexicana e por aí vai. A multiculturalidade imperando. As pessoas trouxeram suas bebidas, algo bem comum aqui. Providenciei salgadinhos, patês, queijos, pães, kibe assado, salada. Bolo de aniversário e parabéns, que não poderiam faltar. Cantamos em português, francês e inglês.

A festa rendeu, não imaginei tanto. Os últimos convidados saíram com o dia amanhecendo, quase às cinco da madruga.

Foi realmente tudo muito gostoso, fiquei muito contente. Foi também a despedida do belo e grande apartamento do Plateau. No próximo mês mudo de casa, para um lugar não tão espaçoso, mas também muito agradável.

8.6.09

A fazer

Acho que vou voltar a escrever mais por aqui. Inspirado pelo Twitter, vou experimentar manter os textos mais curtos, mas nem sempre consigo.

Agora é mês de providências e de arrumação de mudança. O apartamento já está alugado e o contrato está em mãos. Ele fica bem perto do parque Lafontaine. É pequeno, mas tem tudo: geladeira, fogão, cama, mesa de sala, mesa de computador, cadeiras, televisão, cômoda, armários embutidos. Estou pensando em comprar uma bike, já que vou estar perto do parque. Aqui em Montréal andar de "vélo" é parte da vida urbana.

Providências para o estágio, renovação da carteira de seguro-saúde, vários testes e exames antes das férias de julho. Tudo em francês, muita coisa para fazer. Bate cansaaaaço.

7.6.09

Andando por aí

Passear a pé é uma das boas coisas a se fazer nesta cidade. Hoje foi um domingo sem sol, mas ainda sem calor, com muitos ciclistas na rua, pois aconteceu o "Tour de l'île", ou seja, a volta na ilha de Montréal. A volta havia terminado, mas muita gente ainda circulava.

Fomos até uma patîsserie francesa, no bairro de Mille End, próximo daqui onde moro, o Plateau Mont-Royal. Experimentei uma pizza deliciosa, com folhas de espinafre, cogumelos, azeitonas e temperos. Quase não havia queijo, apenas algumas lascas raladas grosseiramente. Estava ótima, sem o frequente excesso de gordura do queijo mussarela. De sobremesa uma massa folhada com recheio de geléia de maçã.

Depois fomos no Café Olimpico, uma cafeteria italiana onde já havia ido outras vezes. Lá tem um café muito bom, bem melhor do que o das redes de cafeterias norte-americanas, como Tim Hortons, Van Houte, Second Cup. E agora, com o aumento da temperatura, o Café Olimpico abriu a sua área exterior, com mesas e bancos. A área vive sempre cheia de gente, batendo papo e apreciando o sabor de poder ficar ao ar livre. Uma possibilidade que dura no máximo uns seis meses por ano neste país gelado.

6.6.09

Na grama

Sabe aquele hábito que os habitantes dos países frios têm de se extenderem nos gramados dos parque? Sou o novo adepto. Nunca me imaginaria nessa situação. Baiano, nascido, crescido e amadurecido (ops, ainda não totalmente!) na beira da praia, eis que resolvo me mudar para o hemisfério norte, distante somente algumas centenas de kilômetros da calota polar. Resultado: os dias de sol são preciosos e merecem ser totalmente aproveitados.

Eu que achava o hábito um tanto ridículo, me vejo fazendo a mesma coisa. E sabe que ficar no parque, estender a toalha (manto, lençol, edredon, canga, ou o que aparecer) e curtir o sol, a sombra das árvores, o lago com patos, a fonte, os pássaros, é bem agradável? No centro da cidade, é um refesco para o cansaço e o estresse, um refresco para o corre-corre. Sem o calor e o suor da praia, mas também sem a água do mar. Contando com a tranquilidade e a segurança fornecida pela polícia da cidade.

Vou me mudar para perto de lá no próximo mês.

13.5.09

Atualizando

Uma volta pelos blogs brasileiros me fez lembrar que há quase um mês não publico nada aqui. Não sei o porquê. Preguiça mesmo. A mente está voltada para o curso que estou fazendo. O que, diga-se de passagem, me consome muita energia.

Tenho lido bastante em francês. Li À ciel ouvert e Folle, da quebequense Nely Arcan. Bye, bye, blondie, da francesa Virginie Despentes, e Quoi mettre dans sa valise, do quebequense Alain Roy. Agora resolvi voltar para o inglês e estou lendo (bem lentamente e com ajuda do dicionário) o livro Anjos e Demônios, de Dan Brown. Quero ver se termino antes de ver o filme, mas acho que não vai dar tempo. O livro, versão de bolso, tem 700 páginas.



Visitei há duas semanas a capital da província, a cidade de Québec. Um tesouro histórico do Canadá. Parece o cenário de um filme. A cidade é linda, vale a pena conhecer. Fomos de carro, éramos cinco pessoas. Uma rodovia de pista dupla liga Montréal à capital, a viagem dura umas 3 horas. Ficamos em um albergue.

Eta cidade que faz frio. Enquanto Montréal já dava os primeiros passos no calor, Québec ainda conservava o frio em plena primavera.

A foto é do Parlamento.