13.8.03

Atum e gulodices

O atum é um peixe pouco conhecido na Bahia. Aos desavisados, parece que é um peixe importado, somente encontrado enlatado, envolvido em água e sal. Mas é fácil encontrar o atum na seção de pescados dos supermercados, a preço razoavel. E o que é melhor: tem carne saborosa, maciça, com poucas espinhas. Basta ferver as postas em sal e água, para obter uma quantidade de carne bem maior do que a existente nas latinhas, a custo bem menor.
Ouvi falar que a moqueca de atum fica muito saborosa. Ainda não provei, mas vou tentar. Por enquanto, fiz uma massa com um molho que leva creme de leite, salsa, cebola, alho, ervilhas e um pouco de queijo ralado envolvendo o peixe desfiado. Ficou uma delícia.

Após aferventar o atum, retirei a pele e a espinha central. Na parte em que a barbatana se encaixa, há uma concentração de espinhas, entremeadas de carne. Fui separando as partes maiores de carne e as menores. Enquanto isso, Ronrom ficava miando, querendo um pedaço de peixe. Eu sabia que gatos adoram peixe, mas não imaginava que fosse tanto. Ele devorou, numa rapidez incrível, os pedaços que lhe dei. Lembrei imediatamente do gato Mandachuva, do desenho animado, que devorava o peixe e deixava só o "esqueleto".

11.8.03

Panorama de Cinema

Encerrou-se na noite do último domingo o Panorama Brasil Coisa de Cinema, que reuniu filmes de curta, média e longa duração, exibidos na Sala Walter da Silveira. O fecho ficou com o longa Narradores de Javé. A diretora Eliane Caffé esteve presente na sessão.

Narradores de Javé é mais um exemplo da fase fértil pela qual passa o cinema brasileiro. Filmado nas cidades de Lençóis e Bom Jesus da Lapa e no distrito da Gameleira, conta com a participação irretocável de José Dumont. Além de Nelson Xavier, Matheus Nachtergaele e Gero Camilo.

O sertão nordestino é novamente fonte de inspiração para o roteiro e para a bela fotografia. A cidade de Javé, à beira de um rio, vai ser alagada para construção de uma barragem. Para tentar impedir a obra, os moradores resolvem provar que o local possui valor histórico e cultural. Para isso, vão contar suas histórias para um escrevinhador(José Dumont), ex-carteiro, acusado de escrever cartas maledicentes e único que sabe escrever na cidade.

O filme ainda está inédito no circuito comercial

Apaguei sem querer este post que havia publicado no dia 05.08. Lá vai novamente.

Cinema Comentado

A decadência dos valores da sociedade americana não é assunto novo na produção cinematográfica dos Estados Unidos. Tome-se, por exemplo, o já clássico Beleza Americana, ganhador de Oscar. Mas nenhum cineasta parece saber abordar a decadência, agora sob o aspecto dos adolescentes, com tanta pertinência quanto o cineasta Larry Clark, diretor de "Bully", de 2001, que teve pré-estréia no último final de semana, na Sala de Arte do Baiano.



Clark é o autor dos consagrados "Kids" e "Ken Park", ambos também sobre a adolescência. Utilizando imagens fortes, quase pornográficas, o diretor constrói um retrato áspero da juventude americana. Violência, sexo, drogas, famílias descontruídas, ausência de valores morais. Em seus carros de luxo, adolescentes agem como adultos - com responsabilidades de crianças.



Bobby (Nick Stahl) e Marty (Brad Renfro) , dois jovens de classe média alta, dão pequenos golpes para conseguir dinheiro e comprar drogas. Ao mesmo tempo em que saem à noite para conseguir garotas, Bobby subjulga Marty. Agride-o física e verbalmente. Marty então envolve-se mais profundamente com uma garota, Lisa (Rachel Miner). Juntos, bolam um plano para se livrar de Bob. O filme é baseado em uma história real.




5.8.03

Vinhos e queijos

Queijos e vinhos fizeram o deleite da confraternização mensal lá no trabalhoo. Foi um tiro no escuro, não pensei que fosse agradar a todos. A idéia não foi minha. Ajudei com a "consultoria" na escolha dos queijos. Foi ótimo porque pude experimentar queijo coalho de búfala temperado com pimenta calabresa. Também outro tipo de coalho de búfala, temperado com orégano. E matar a saudade de um bom gouda. Daquele que comi horrores quando estava em Paris, comprado em uma loja de queijos. Eu pedi ao balconista " fromage [gôuda]". E ele me respondeu, "oh, [goudá]?". E eu pensei: toooin na cabeça! Que ignorância minha. Nunca ia imaginar que a pronúncia fosse "goudá". Lembranças de pronúncias à parte, foi ótimo ter à disposição queijo gorgonzola, gouda, estepe, requeijão (tipo catupiry), requeijão com ervas e tipo minas. Espero que sobre um pouco para o dia seguinte.

30.7.03

Presença de Ronrom

Há um novo habitante na minha casa: Ronrom. Um gato de pêlo duro, ex-gato de rua, ex-homeless. Não fui eu que o escolhi. Ele escolheu a minha casa para morar. Ronrom chegou magrinho, resultado da alimentação pobre das ruas. Em uma semana, à base de ração e uma aplicação de vermífugo, ele já está aparentando ter o dobro do peso que tinha quando o encontrei. Ele chegou tímido, explorando todos os cantos do apartamento. Agora já se sente dono da casa. Está até mais agressivo, gosta de morder meus dedos do pé. Ronrom sempre fica me aguardando ao chegar em casa, já quando coloco a chave na fechadura da porta. Para logo em seguida tentar sair em disparada pelo corredor do prédio. A presença de um animal de estimação em casa, algo que eu não me deparava desde a infância, proporciona ótimos momentos de relax nos intervalos de trabalho. Em breve publico fotos.

28.7.03

Cada dia fico mais contente com o blog. Com as fotos, os recursos de comunicação (e-mail para contato, comentários, estatística de acessos) e até com os textos.

25.7.03

Cinema Comentado

"O Último Beijo", filme produzido na Itália, retrata as crises pelas quais passam os trintões. Estão lá as relutâncias da aceitação de responsabilidades, em oposição à vida desregrada. Estão também as alegrias, as perspectivas e as falências dos relacionamentos. Na atualidade, em qualquer lugar, é tudo muito parecido. Seja na Itália, ou em qualquer parte do mundo.



Carlo (Stefano Accorsi) e Giulia (Giovanna Mezzogiorno) vivem juntos há três anos. Ela agora está grávida e eles pensam em se casar. Ao mesmo tempo, ele começa a se interessar por uma garota de 18 anos. Três amigos de Carlo, de sua mesma faixa etária, deparam-se cada um com suas dificuldades. Um deles está em crise com a esposa, que depois de dar à luz, tornou-se uma megera. O outro vive brigando com a ex-namorada e tem problemas familiares: recusa-se a trabalhar na loja de artigos religiosos da família e o pai está à beira da morte. O terceiro é um bon vivant. Usa cabelo rastafari, pirateia CDs, usa drogas e vive trocando de namorada.



O filme é uma tragicomédia sobre os relacionamentos no mundo moderno. Com todas as dificuldades em chegar a novos modelos de casamento, relações familiares e criação de filhos. E o amor, as alegrias, os desentendimentos, as implicações e as culpas envolvidas em tudo isso. Destaque para a atuação da bela Giovanna Mezzogiorno. O filme está em cartaz na Sala de Arte do Baiano.

Políticos, intelectuais, professores aposentados, a velha guarda da cultura baiana, pessoas do candomblé, jornalistas e amigos estiveram por lá prestigiando o professor Vivaldo, que estava radiante. Uma baiana serviu abarás e acarajés todo o tempo. A Casa de Jorge Amado ficou lotada.

Lançamento de livro

Lançado ontem, dia 24 de julho, na Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, o livro "A Família de Santo nos Candomblés Jejes-Nagôs da Bahia", do antropólogo Vivaldo da Costa Lima, Professor Emérito da UFBA. O evento reuniu políticos, intelectuais e recebeu a atenção das redes de televisão de Salvador.

O livro é a reedição da dissertação de mestrado, apresentada pelo professor em 1972 e publicada originalmente em 1977. Lançado pela Editora Corrupio, de Salvador, a nova edição traz várias fotos do franco-baiano Pierre Verger.

A obra é um clássico da cultura baiana. "É um depoimento engajado de um pesquisador de mão cheia, para quem o candomblé é muito mais do que um simples objeto de estudos ou curiosidade étnicos. É um modo de vida para grande número dos baianos de todas as classes e cores", escreveu o antropólogo Peter Fry, na contracapa.

Publicado no Super Fatos de 25.07.2003

20.7.03

Depois de várias tentativas, consigo reduzir o tamanho da fonte. Deste modo, acho que a leitura fica melhor. Até que enfim o blogger e o w.bloggar começam a ficar mais amigáveis.

18.7.03

A inquietação está no ar.

A empresa em que trabalho está em polvorosa. Hoje é sexta, já houve alguns eventos e outros se anunciam. Há problemas em equipamentos. A energia das pessoas está muito conturbada. Pobres corações e pressões sanguíneas. Faço o que posso para não entrar naquele redemoinho. Não faz bem para a minha saúde. Por isso estou aqui, trabalhando isolado e pensando neste texto.
A impressão que tenho ( e sem desejar isto, de forma alguma) é que a qualquer momento alguém vai sair dali gritando: socorro!
Fico pensando até que ponto o stress não é uma criação do próprio ser humano. Gerado de forma gratuita, sem necessidade. Eventos, puxa-saquismos, rapapés. A contínua perseguição ao ato do "agrade" aos superiores é uma coisa muitíssimo desgastante.
Espero que o final de semana chegue logo. Aliás, há algum tempo vivo em função de finais de semana. Ansiosamente os esperando. Há mais tempo, seria por causa e em busca das festas. Hoje, é em busca do descanso, da leitura e da produção tranquila dos meus textos.

14.7.03

O engenheiro na cozinha

O livro A Cozinha Sertaneja da Bahia foi lançado no final do ano passado e ainda pode ser encontrado em algumas livrarias da cidade. O autor é o engenheiro civil Guilherme Radel, 73, professor aposentado da Escola Politécnica da UFBA e ex-diretor da Embasa. O engenheiro é pesquisador de gastronomia há muitos anos.

O livro é uma compilação das receitas da cozinha praticada no sertão da Bahia. Mais de 700 receitas compõem a obra, impressa em papel de excelente qualidade e ricamente fotografada. O livro é um tributo a uma culinária pouco lembrada, apesar de ser consumida quase que diariamente nas residências do Estado. Na divulgação da cultura da Bahia, é a cozinha afro-baiana e os pratos feitos com azeite de dendê que são sempre privilegiados. Junto com as receitas e fotografias, há textos consistentes sobre a aspectos históricos e culturais da alimentação.

A cozinha sertaneja da Bahia é herança direta da culinária portuguesa, com muitos elementos indígenas e alguns africanos. Carnes de cabrito, cordeiro, boi, porco, carne-do-sol, charque e caças são alguns dos petiscos retratados. Radel tem outro livro, prestes a ser lançado, sobre a cozinha "praiana" da Bahia.
Publicado no Super Fatos de 16.07.2003.

6.7.03

Penne com lagosta e tomates

Hoje comi um prato feito com lagostas. Muito bom. Lagostas vindas de Ilhéus. Descascadas, cozidas com tomates-gigantes, cebola, coentro e sal com alho. Para arremater e dar o tom aveludado, um pouco de creme de leite.

A lagosta foi acompanhada de penne com um pouco de manteiga do sertão. Não é manteiga de garrafa. É daquela legítima, sem cozimento, feita somente com a gordura do leite. Amarelinha, mas sem corantes. Podia-se comer a massa pura, só com a manteiga e um pouco de parmesão de boa qualidade. Percebi quão bom é um Fettucine a la Alfredo, feito dessa forma.

O molho ficou muito suave, pois não foi usada polpa de tomate industrializada. Os tomates não foram picados. Os pedaços grandes é que desmancharam-se com o cozimento. No molho da lagosta não foi necessário nem um dedo de água. O suco surgiu do próprio crustáceo, dos tomates e da cebola. Para finalizar, um fio de azeite de oliva. Um banquete, digno de boas notas e elogios. Um licor de laranja fechou a refeição.
Publicado no Super Fatos de 07.07.2003

4.7.03

A Bahia, estação primeira do Brasil

A Independência da Bahia consolidou a independência do Brasil. Marca-da por personagens heróicos e outros nem tanto, a luta pela independência é fonte de orgulho para todo o Estado.

Um personagem interessante, que agora vira filme, é o do corneteiro Lopes. Em uma das batalhas finais contra Portugal, o exército baiano, pouco preparado, composto em parte de escravos e trabalhadores, preparava-se para a derrota. O corneteiro Lopes - em um grande erro, ou em um ímpeto de ousadia-, em vez do toque de retirada, tocou avançar cavalaria degolando. O que fez com que o Exército de Portugal, assustado, batesse em retirada.

O filme “O Corneteiro Lopes” tem 20 minutos de duração.

A origem do licor

Os licores surgiram para guardar, transmitir e potencializar os princípios ativos e os sabores de ervas, plantas e frutas no álcool. Apareceram na Antiguidade, quando egípcios e gregos deram os primeiros passos rumo ao domínio das técnicas de destilação. Naquela época, a bebida era usada para a cura de todos os males, como elixir de rejuvenescimento ou poção do amor. Hoje, eles são o final primoroso de um jantar e ingredientes básicos de vários coquetéis.

Os melhores e mais sofisticados licores são feitos pelo processo de destilação do álcool. Os componentes aromáticos do licor são adicionados ao destilado base, compondo uma mistura que depois será destilada. O produto é então adocicado e, se for o caso, recebe um corante. Já no processo de infusão os componentes da receita ficam macerando dentro do álcool por um longo período. Depois disso, com o líquido fortemente aromatizado, a mistura é filtrada e recebe açúcar.

Seja qual for o processo, espera-se o tempo necessário para a consumação do perfeito casamento entre perfumes e sabores. Desde os famosos e caros licores industrializados, até os artesanais de jenipapo, de passas e outras frutas, o que conta é o prazer da degustação.

Fonte: www.claudiacozinha.com.br
Publicado no Super Fatos de 03.07.2003

26.6.03

A cidade está tranquila

Ficar em Salvador durante o feriado do São João é uma experiência no mínimo interessante. A cidade fica vazia como em nenhuma outra ocasião. Entregue às moscas. Mesmo em feriados prolongados, como na Semana Santa e no Natal, o paradeiro não é tão grande quanto nesta época.

No São João o êxodo é urbano, em direção à folia no interior do Estado. O trânsito diminui, os bares ficam vazios. A cidade se acalma. Há até certa ponta de melancolia no ar. Para quem não gosta de muita festa, é um período excelente para ficar em casa, sob a temperatura do inverno baiano. Aproveitar o tempo para ler, ver filmes ou descansar.

Descansar, aliás, é algo improvável para quem vai para o interior. O Trânsito é pesado nas estradas, há festas e barulho - além do irresistível licor -, em praticamente todas as cidades do interior da Bahia, que descobriram o filão econômico e turístico das festas juninas. Não há clima para recuperar as energias, a menos que se vá para alguma fazenda ou local isolado. Fora isso, nada melhor que descansar na cidade grande e tranquila.

Publicado no Super Fatos de 26.06

11.6.03

O tíquete e as codornas

O Valetik e a cesta-alimentação representam conquistas do funcionalismo do Banco. O valor do tíquete nao é contabilizado para imposto de renda e representa uma grande parcela dos ganhos mensais da maior parte dos funcionários do Banco. Para aquele que está começando na empresa, o valor do tíquete representa mais de 50% do salário líquido.

Com essa força, o tíquete na versão papel se transformara em uma verdadeira moeda paralela. Usava-se em todos os lugares: na padaria da esquina, em lanchonetes, bares, camelôs, vendedores de beira de estrada, e até mesmo em supermercados.

Nestes últimos, o Valetik compra tudo: alimentos, CDs, livros, roupas, pratos e panelas. Conta-se a lenda de que uma funcionária do BB conseguiu comprar um aparelho de DVD com tíquete, apesar da resistência do funcionario do supermercado, que insistia que não era possível comprar eletro-eletrônicos daquele modo.

O desafio do Valetik na atual versão cartão é chegar a todos os locais. Até aquela senhora que vende frangos e codornas assadas, em um forno televisão-de-cachorro, sob a sombra de uma árvore. Na Estrada do Coco, perto de Arembepe. Aquela mesma senhora que costumava exibir a faixa "Aceita-se tíquetes". As codornas, por sinal, sao deliciosas.

Cinema e discos de vinil

A Sala de Arte do Bahiano é o melhor local para ver filmes em Salvador. Distante dos avanços tecnológicos e da movimentação das salas de shoppings, é o lugar ideal para tomar um café expresso, ler jornais e revistas, ver as exposições e conversar. O estacionamento, fácil e gratuito, é o mesmo do Clube Baiano de Tênis, na Graça.

Não vá para lá quem espera filmes de ação ou os mesmos que passam no circuito comercial. O local é dedicado aos filmes europeus, brasileiros, asiáticos e até americanos, de caráter autoral e que, de forma geral, incitam a reflexão. Para isso, normalmente possuem ritmo lento. Bem diferente dos cortes abruptos da maioria das montagens de Hollywood.

Neste último fim de semana, a exibição do filme brasileiro Durval Discos, com Marisa Orth, Letícia Sabatela e Rita Lee, proporcionou uma série de eventos paralelos: feira de discos de vinil (os velhos LPs), fotos do filme e DJs (disk jockeys) tocando vinis na ante-sala. Alguns dos melhores DJs de Salvador, aqueles que colocam som em festas, estiveram por lá. Assegurando que as inovações tecnológicas são bem-vindas, mas não indispensáveis na música e no cinema.

Publicado no Super Fatos de 10.06.03

2.6.03

O africano da Piedade

O proprietário do restaurante Healthy Valley, na rua Direita da Piedade, é africano. Nasceu em Gana e passou vários anos na Índia e nos Estados Unidos. Da cultura indiana, como monge yôga, adquiriu o hábito da alimentação vegetariana. E, conforme determinam os preceitos da filosofia, para garantir a boa meditação, nada de alho e cebola na comida.

Falar em comida vegetariana para o baiano, acostumado com a herança africana e carnes sertanejas, é quase uma blasfêmia. Ainda mais sem alho e cebola, peças de resistência na culinária local. O resultado, a princípio inesperado, é que a comida do Healthy Valley é muito bem-feita e saborosa, com pratos que trazem influências de várias partes do mundo, refletindo as andanças do cozinheiro-proprietário.

O problema é a fartura. Por R$ 6,00 come-se quanto quiser, com direito a sopa, suco, sobremesa e chá. Uma tentação para quem prefere gastar uma hora de almoço percebendo cada sabor e conversando com os amigos, achando que comida vegetariana não engorda. Não engorda? Pense em pizza e lasanha integral, feijão com verduras. Bois, elefantes e hipopótamos são vegetarianos.

Publicado no Super Fatos de 04.06.2003

30.5.03

Entre tintas e tequila, a força de Frida

O filme Frida é uma produção americana que conta a vida da pintora mexicana Frida Kahlo, interpretada pela atriz Salma Hayek, também mexicana. Após sofrer um acidente de trânsito na juventude, a pintora passou por uma série de cirurgias, que deixaram seqüelas para toda a vida.
Ambientado no México e emoldurado por cores fortes, características da cultura mexicana e das tintas da pintora, o filme evidencia diversos aspectos da cultura mexicana: tequila, vegetação de deserto, músicas, danças e rituais fúnebres, presentes em cenas bem elaboradas.
Frida retrata toda vida da pintora, do o início da carreira até a morte. Ela casou com Diogo Rivera, um pintor de murais, boêmio e ativista político, já em seu segundo casamento. A união foi conturbada, pois Rivera era bastante mulherengo. Incentivada pelo marido, Frida continua a pintar e o acompanha a uma viagem aos Estados Unidos, onde Rivera vai expor. Mais adiante, Frida expõe seus quadros na Europa, com direito a cobertura da imprensa e capas de revistas.
O filme entremeia as obras de Frida com os acontecimentos de sua vida. As limitações físicas não a impediram de levar uma vida sexual apimentada, que incluía homens e mulheres. Ela sempre foi o seu principal personagem. Em seus quadros estão todos os seus sofrimentos, físicos e emocionais. E todos os seus famosos auto-retratos.
Provavelmente o cinema americano ficou interessado em produzir o filme depois que a cantora Madonna anunciou a compra de um quadro da pintora. Desde então, Frida Kahlo se tornou mais conhecida – e querida – no circuito cultural. O filme também é o resultado do empenho de Salma Hayek como produtora.

Publicado no Super Fatos de 30.05.2003.

19.5.03

Da comida do oriente...

Comer e oferecer comida são demonstrações de afeto. O hábito libanês de fazer visitas inesperadas é pretexto ideal para o mezze — de acento francês, vem da expressão árabe alloumaza, que significa "aquilo que é degustado, saboreado delicadamente com a ponta dos lábios". O mezze é composto de várias porções de conservas e iguarias, servidas em pratinhos redondos e fundos de cerâmica marrom.

Mezze é uma instituição nacional. Nasceu no Líbano, na cidade de Zahle, no início do século: lá instalaram-se bares e restaurantes, onde fregueses se reuniam com amigos para "tomar um copo" e degustar pequenas e variadas porções de tira-gosto. Logo, o mezze se espalhou pelo Mediterrâneo. Para acompanhá-lo, arak (bebida alcoólica semelhante ao rum, feita à base de arroz e melaço) misturado à água gelada.

Fonte: www.basilico.com.br
O jornalismo é um exercício da simultaneidade do raciocínio lógico e do raciocínio criativo. Principalmente a grande reportagem tem essa permissão.
A delimitação do tema parece facilitar o trabalho. As três linhas pensadas (maneiras de fazer, maneiras de comer, maneiras de divulgar) são o que anteriormente eu já havia imaginado. Vou sentir falta de abordar a cozinha dos imigrantes árabes, a cozinha do sertão, da Chapada. Mas, quem sabe, não consigo incluir algum desses tópicos nas reportagens?
Pauta: ir na Feira de São Joaquim, conversar com feirantes que vendem comidas prontas. Verificar pratos vendidos, quem prepara, quem consome, modos de preparo, etc. Se possível, gravar as entrevistas.

Conversar com os cozinheiros e donos de restaurantes.
Quem, onde, como?

Modos de divulgar: conversar com Helô, Neyse Cunha Lima e Maria Luiza Brigido.
Pensar na comida baiana é quase que imediatamete pensar em comida de dendê. No entanto, a culinária popular, do dia-a-dia, não traz o famoso azeite entre os seus ingredientes. Luiz da Câmara Cascudo, na História da Alimentação do Brasil, registra que nas barracas da Feira de Água de Meninos, o dendê não está presente nos pratos, e sim nos acarajés e abarás das baianas.
Reportagens

Após reunião com o professor orientador, decidimos - isto é, ele me deu a sugestão, eu acatei - fazer uma outra abordagem. Como antecipadamente eu previra. Iremos abordar três vertentes: maneiras de comer (consumo, modos, lugares, os gourmands), maneiras de fazer (donos de restaurantes e cozinheiros) e maneiras de divulgar (jornalistas e críticos). O que é a cozinha baiana.
Elaborar pautas e definir fontes.