27.8.16

MultiCult#8

MultiCult # 8 Uma boa administraçao publica tambem eh feita de açoes simples, mas eficazes. Nas ultimas semanas, a area verde na saida do terminal de ferry-boat de Toronto estava sempre congestionada. Um monte de jovens, zumbis encurvados sobre os seus celulares, espalhados pelo gramado, mesas e bancos, cacando Pokemons e fingindo socializar. Atrapalhando o trajeto de volta para casa daqueles que iam procurar tranquilidade e diversao nas ilhas de Toronto.

Nao deixava de ser interessante ver a diferenca entre os que passeiam de barco e os fas do videogame. Os primeiros saem falantes, sorridentes, bronzeados, voltando de horas de prazer nas ilhas, pela proximidade da natureza e contato com o sol, caminhadas, passeios de bicicleta, banhos no lago, pique-niques, interacao com os amigos e o que mais interessante ocorra. Enquanto os cacadores virtuais permanecem concentrados, rostos palidos hipnotizados, colados na pequena tela, refletindo a luz do celular.

Em vez de mandar a Policia espantar a galinhada nerd e organizar a bagunça, o Prefeito tomou decisao inteligente e acertada. Contactou o chefao da empresa criadora do Pokemon e pediu a reduçao dos pontos de parada (Pokestops) do videogame na regiao. Esses pontos incentivam a congregaçao dos jogadores e a caça aos monstros virtuais.

A quantidade de Pokestops na saida do terminal fazia com que os jogadores permanecessem durante horas por la, formando uma multidao que estava atrapalhando a saida dos passageiros do ferry-boat.
Estive no terminal ha pouco e vi a diferença. Ainda existem alguns players, mas bem menos. Os turistas da ilha agora podem passar com tranquilidade, sem esbarrar em ninguem.

https://www.thestar.com/news/gta/2016/08/25/mayor-john-tory-acts-to-cut-pokemon-go-crowd-at-ferry-terminal.html

13.1.16

MultCult#7 Irlandeses

MultCult#7 Os irlandeses e seus descendentes formam parte significativa da população do Canadá. Eles compõem uma grande porção do que faz a religião católica a mais numerosa no país. Eles gostam de ser engraçados. De rir, de aproveitar os momentos com a família. Gostam de beber, de celebrar a alegria. Às vezes também gostam de fazer drama. Essa é a minha percepção.

Perguntei a um irlandês-canadense, nascido na Irlanda, qual era a imagem que ele tinha do seu povo. Não foi diferente da minha. Ele me disse que os irlandeses são contadores de histórias, são comunicativos, amigáveis e não são pretensiosos. Outro descendente de irlandeses me diz que, ao contar histórias, eles são "careless with the truth", agem sem cuidado com a verdade. Ou seja, gostam de adicionar cor e drama aos casos contados, para torná-los mais atraentes e mais engraçados.

O fluxo de imigrantes irlandeses para o Canadá e Estados Unidos é contínuo, ocorrendo picos em épocas de crise, como no caso da Grande Fome, no meio do século XIX, quando uma praga destruiu as plantações de batata na Irlanda, causando um problema gigantesco de falta de comida. A saída para muitos irlandeses foi tomar o navio para a América. A batata, no entanto, continua sendo o seu vegetal preferido. É piada corrente entre eles o favoritismo dela na mesa.

Outra característica dos descendentes de irlandeses no Canadá é a valorização das suas origens. Eles se orgulham e se consideram legítimos irlandeses, mesmo que as suas famílias estejam na América do Norte há quatro ou cinco gerações.

Toronto é uma cidade em que 50% da população nasceu em outro país. Adicionando aqueles cujos pais nasceram fora, a conta chega aos 75%. E isso é bem visto. Boa parte dos habitantes da cidade gosta de mencionar as suas raízes em outros países. Mas o irlandeses do Canadá parecem se considerar autênticos "Leprechaun", o duende verde da Irlanda. Mesmo que os originais tenham sido o tataravô e a tataravó, que atravessaram o Atlântico há mais de cento e cinquenta anos.