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12.7.12

Canadá, Nigéria, Benim e Bahia em francês.

Faz algum tempo que frequento o French Meetup de Toronto, um encontro mensal de pessoas que tem o francês como primeira língua ou que gostam de praticá-lo. A reunião acontece em um restaurante-bar na Bloor Street East perto da Yonge. Cada vez é uma experiência diferente. Cada vez tem gente diferente, com sua história de vida para contar.

Ontem conheci um holandês que veio criança para o Canadá. Os pais imigraram para Alberta e ele se mudou já adulto para Toronto, para trabalhar. A sua língua materna é o holandês, mas ele foi educado em inglês, no Canadá. Francês ele aprendeu na escola e em cursos. Apreciador de línguas, aprendeu espanhol, pois morou dois anos na Espanha, em Barcelona. Ele trabalha em um banco e já foi responsável pela área de negócios com a América Latina. Ele considera o espanhol a sua terceira língua.  Como se nao bastasse, foi casado com uma brasileira, então fala português também. Somando tudo, ele fala 5 línguas e me disse que compreende um pouco de alemao, que tem alguma semelhança com o holandês. Ufa!

 Revi uma conhecida (estou prestes a considerá-la uma amiga, pelas várias vezes que a encontro e é sempre muito agradável) nigeriana, com quem trabalhei durante um período curto, e que eu não sabia que falava francês. Depois de sermos apresentados no trabalho, acabei por reencontrá-la no French Meetup.

A língua oficial da Nigéria é o inglês, mas ela aprendeu francês durante os quatro anos que passou em Montréal estudando Contabilidade. Eu achava que ela era filha de imigrantes, que morava no Canadá há muito tempo, pelo menos desde criança. Mas ela revelou que chegou no Canadá aos 16 anos, que os pais ainda moram na Nigéria. E que ela viaja para lá todo ano. Fiquei surpreso porque ela faz um trabalho altamente qualificado, imaginei que tivesse sido totalmente educada no Canadá. Tudo bem, a universidade onde ela estudou é das melhores do país. Para mim, ela seria um caso de sucesso - existem vários - de estudos e trabalho de imigrantes no Canadá.

Quando converso com ela, a gente passa um bom tempo comparando as culturas da Bahia e da Nigéria. Ela fica surpresa com as coincidências. A cultura afro-baiana veio basicamente daquela região da África, principalemente dos povos Yorubá, Hauçá, Fon, Lgbo. Comida, hábitos, música, religião.  Ela me contou que os nomes de pessoas na Nigéria são com frequência os mesmos nomes das entidades do candomblé brasileiro . Ou seja, existem vários oshuns, shangos, ifás e oguns circulando pelas ruas da Nigéria. Quando a nigeriana chegou, eu estava, por coincidência, conversando com um canadense filho de nigeriano e de mãe do Québec. O francês dele nao era grande coisa, às vezes ficava difícil compreendê-lo, mas ele era simpático e comunicativo.

Um pouco mais tarde, talvez a personagem mais interessante da noite se aproximou. Ela tinha o rosto redondo e largo, cabelo bem preto e comprido, os olhos bem puxados, a pele clara, mais de 40 anos, provavelmente. Ela me fez lembrar os inuits (esquimós) do Canadá. Mas ela era francesa e bastante simpática. Nativa da cidade de Nice, no Sul da França. Filha de alemão com vietnamita. Life coach, psicóloga, trabalha com comunidades francófonas em Toronto. Também trabalha em inglês. Ela morou em vários locais e contou as maravilhas de Vancouver. Ela também já havia morado nos Estados Unidos durante bastante tempo. Fiquei curioso e perguntei a ela em que local ela tinha a maior sensação de pertencimento. Curiosamente, uma vez que os franceses não morrem de amores pelo Tio Sam, ela falou que era nos Estados Unidos. Mas ela diz adorar o Canadá.

Mais tarde um outro rapaz, este do Benim, chegou e começou a conversar com a nigeriana. Acho que  eles já se conheciam de outros encontros. O Benim é um país francófono e vizinho da Nigéria. A francesa foi embora e continuei o papo com os dois. O Benim tem a cultura bem parecida com a Nigéria e, por tabela, com as características afro-baianas. Acarajé, por exemplo, é conhecido como acará na África.

Lembrei que eu já havia experimentado comida do Benim em Salvador, no restaurante Casa do Benim, no Pelourinho. Também contei a ele a lenda que uma vez ouvi, talvez criada pelos próprios donos do restaurante, para aumentar a mística do local. A história dizia que, se as terras da África e a América se juntassem novamente - se é que isso aconteceu alguma vez -, Salvador iria coincidir com o Benim. 

Comentando sobre questões da língua portuguesa, falei sobre a influência dos teleromances (novelas) brasileiros no modo de falar da própria comunidade de países lusófonos. Foi com surpresa que ele falou o nome em português "novela". E revelou que as novelas brasileiras são uma febre naquele país africano - e provavelmente em outros da região também. Depois lembrei que uma amiga minha do Québec, que havia passado um tempo fazendo trabalho humanitário no Benim, já tinha me falado disso. As famílias param na frente da televisão, no maior silêncio, quase hipnotizadas, para acompanhar a trama. Nada muito diferente das famílias brasileiras. O beninense (ou beninês) também conhecia a música de Carlinhos Brown.



12.4.12

Multilinguismo

Há alguns dias recebi um e-mail do grupo Toronto Babel falando que uma rede de tv de Toronto procurava uma pessoa "hiperpoliglota", que falasse seis ou mais línguas, para uma matéria. O Toronto Babel é um evento que ocorre toda semana, às terças-feiras, há mais de um ano, em um bar da cidade. As pessoas que vão a esse encontro buscam praticar línguas estrangeiras, não importa qual seja. Ou inglês, no caso de visitantes ou estudantes no Canadá. Ou mesmo moradores recém-chegados. Então fica gente praticando inglês, francês, mandarim, espanhol, português, russo, italiano e o que mais se imaginar.

O evento é informal, regado a cerveja, vinho e muito bate-papo, terminando sempre no onipresente inglês. Ou no português, como no meu caso, uma vez que os conversadores brasileiros não conseguem deixar de lado a língua pátria quando estão juntos.

A organizadora do evento Toronto Babel, uma estudante de doutorado em Linguística, já virou referência na cidade quando se fala em articulação de pessoas em práticas de linguagem. Por isso os meios de comunicaçao correm para ela quando precisam de fontes.

Falar seis linguas parece algo de seres extraterrestes, mas é possivel em Toronto. Tem gente que vem para o Canadá vindo de pais onde se fala mais de uma língua. Chega aqui e aprende inglês e francês. Adquirido o vício da mala sempre pronta, sai viajando pelo mundo, em estadias mais ou menos longas, vendo novas paisagens, conhecendo gente nova, saboreando pratos desconhecidos e aprendendo novas palavras.

Em outro encontro que às vezes frequento, o de francês, conheci um indiano que me garantiu que falava mais de seis línguas. Ele trabalhava em hotelaria no seu pais de origem e sabia, além de inglês, francês e árabe, as linguas da India: hindi, urdu, bengali, punjabi e outras mais. Além das línguas nacionais, que são o inglês e o hindi, a India tem mais 20 línguas usadas regionalmente. E cada uma delas falada por milhões de pessoas. Como se não bastasse, ainda tem o português que ficou perdido na região de Goa e que ninguém mais fala. Só vi o tal indiano uma vez e não teria como testar se ele falava mesmo a quantidade de línguas que ele prometia. E nem queria essa atribuição para mim. Isso seria trabalho para a rede de tv.

Tenho um outro amigo que com certeza sei que fala cinco línguas: russo, ucraniano - do seu país de origem-, mais inglês, francês e até português, aprendido durante um ano morando no Brasil e que ele fala quase sem sotaque, de uma maneira inacreditável para tão pouco tempo de estadia em terras lusófonas. Sim, este nome pomposo é aplicável a todas as pessoas que falam e aos locais onde se fala português. Ou seja, todo brasileiro é lusófono, queira ou não.

Com certeza a rede de tv deve ter encontrado o seu personagem para fazer a matéria. Os hiperpoliglotas não são seres alienígenas. Com algum esforço eles podem ser encontrados nas grandes cidades do Canadá.

Fiquei pensando se a língua do P poderia entrar na conta das línguas dos hiperpoliglotas.

10.9.11

The Couchsurfing Experience: da gafieira aos sinos

Couchsurfing, que literalmente significa "surfar no sofá", quer dizer conseguir hospedagem gratuita, para passar uma noite ou alguns dias, em qualquer canto da casa de alguma alma bondosa que abra as portas do seu lar doce lar. Seja para dormir em cama, sofá, colchão ou qualquer outro local com mínimo de conforto.

Essa idéia inicial, gerada a partir de um site internet (www.couchsurfing.org), ganhou o mundo e se tornou um sucesso. O site tem mais de 3 milhões de participantes.

Em um universo de pessoas cada vez mais egocêntricas e fechadas, que vivem focadas em seus computadores, seus interesses e suas redes sociais, é esperançoso ver que existe tanta gente generosa e de cabeça aberta, que abre as trancas e cadeados de suas casas aos viajantes desconhecidos, com o simples intuito de fazer o bem, conhecer pessoas, conversar e intensificar o intercâmbio cultural, seja nacional ou internacionalmente.

Se não quiser hospedar ou conseguir hospedagem, o participante do Couchsurfing pode se disponibilizar apenas para sair para tomar um café ou um drink com o visitante. E, a partir daí, trocar informações sobre a cultura local, ir mostrar a cidade, ou apenas conversar. Ainda que não haja impedimento para isso acontecer, a princípio o Couchsurfing não é um site de paquera.

Existem tambem os grupos das cidades e de temas específicos. Participar em um desses grupos é uma ótima fonte de informações do que está acontecendo. Eventos, descontos, convites, etc. As pessoas combinam as mais diversas programações. Intercambios linguisticos, pique-niques, festas, cafés. Visitantes convidam os nativos para tomar uma cerveja ou um café. Pedem indicações de bons restaurantes, atrações turísticas, bares e casas noturnas. Os moradores da cidade combinam entre si jantares e passeios e aproveitam para ciceronear os visitantes.

A minha aventura Couchsurfing comecou ainda no Brasil, em 2007. Eu me cadastrei no intuito de praticar francês e inglês, durante a minha estadia em Ilhéus, enquanto aguardava o visto canadense. Cheguei a fazer alguns contatos, mas não aconteceu de sair para café, drinque e mostrar a cidade para ninguém.

Chegando no Canadá, a participação tomou corpo. O norte-americano é tido como frio e distante, muito focado em suas ações, mas adora se reunir em grupos, em torno de um objetivo em comum, seja atividade filantrópica ou diversão. Então algum tipo de objetivo é necessário para que os encontros sociais se realizem e as pessoas se aproximem.

Existe um outro site, chamado Meet-up (www.meetup.com), que também é bastante utilizado para organizar reuniões. E, olhe, tem gente se reunindo para tudo, desde caminhar no parque até aprender japonês.

Em Montréal, a partir de um convite para um evento linguístico francês-português do CS, eu, outros brasileiros e mais um grupo de québécois interessados em português e na cultura brasileira, começamos a frequentar um bar e casa de shows chamada Les Bobards, onde aos domingos sempre rola música do Brasil para dançar. A gente ficava tomando cerveja, enrolando a língua, ensinando um pouco da sua linguagem nativa e aprimorando a estrangeira.

Conheci pessoas muito interessantes, com as quais mantenho contato até hoje. Depois da sessão de trocas linguísticas era a hora de música e dança. Havia um outro grupo que aprendia e praticava gafieira, ao som de música mecânica ou do grupo que se apresentava. E que nos dava dicas de como dançar o samba em dupla. Depois de praticar português e francês, era hora de mexer o esqueleto.

Em Montréal, tambem tomei muitos cafes servindo de pretexto para praticar frances e ensinar portugues.

Em Toronto, com menos tempo disponível, a minha participação no Couchsurfing ficou reservada ao Toronto Babel Language, um evento que ocorre semanalmente em um bar e onde as pessoas sao convidadas ao intercâmbio linguístico. Neste evento, um retrato do que é Toronto, é possível conhecer gente do mundo todo e praticar línguas inimagináveis. Até inglês.

No último final de semana participei de um jantar organizado por um participante do Couchsurfing. Ele preparou o jantar, cobrou uma taxa mínima e cada um levou sua bebida. O risotto de parmesão estava uma delícia. Conheci gente bem interessante. Da China, da França, da Tunísia. Até do Canadá! Depois fomos para a despedida de um rapaz italiano que, depois de alguns meses em Toronto e muitos eventos Couchsurfing, estava voltando para o seu país.

Um dos canadenses que estava no jantar faz um trabalho genial. É professor de música e toca carrilhao (o conjunto de sinos) em uma grande igreja de Toronto. Ele promove, gratuitamente, um passeio pela igreja onde trabalha e uma apresentação musical naquele que é um dos 11 carrilhoes do Canadá. Para ser considerado um carrilhao, sao necessários pelo menos 50 sinos.

Por dentro da Metropolitan United Church

Entao na mesma semana, fui ver o pequeno show e conhecer a igreja, que fica em um ponto bem central da cidade. Para conferir a apresentaçao musical as pessoas sobem um monte de degraus em uma escada estreita e em caracol. Em outra etapa, o grupo sobe mais escadas e chega até o teto da Igreja, de onde se tem uma bela vista de Toronto. Depois o grupo saiu para jantar em um restaurante bem canadense. Como sempre, nessas ocasioes, peço a especialidade da casa. Hambúrguer de carne Angus com batatas fritas e salada. Simples e bom.

Vista da outra capela, a partir do teto

Os sinos

O aparelho que faz os sinos soarem

Crédito da foto da dança: Dioni Pereira.

3.9.11

Mercúrio e Urano em sintonia

No dia em que eu me deparei com a internet, ou em que me dei conta do seu poder, eu dei graças a Deus por ter nascido nesta época, para poder presenciá-la e por ter acesso a ela. Para quem está na faixa dos trinta, vinte anos, ou menos, a internet faz parte da rotina desde a infância. É algo dado por certo. Para quem veio ao mundo antes disso, nao era bem assim.

Os discos americanos e europeus demoravam a chegar no Brasil e eram caros. As letras das músicas só existiam nos encartes que vinham com eles. Nos dias atuais, os sons, as imagens e textos estao à distância de um curto clique. Pelo You Tube acontece a mágica de poder ver os videos de músicas que fizeram parte da minha história, infância e adolescência, e que só agora consigo vê-los. Na época, os videoclips eram exibidos muito esporadicamente na tv. A chegada da MTV ajudou bastante, mas o que veio antes dela ficou praticamente esquecido. O You Tube resgatou tudo. O You Tube resgatou a memória auditiva e visual da humanidade.

Um fato marcante para mim do poder da internet, ainda com poucos recursos, foi quando viajei pela primeira vez para fora do Brasil, em 1997. Antes de viajar, acessei o site da charmosa cidade de Brighton (www.brighton.co.uk), no Reino Unido, onde iria estudar inglês. Assim tomei conhecimento das várias opçoes de lazer da cidade e do que me esperava por lá. Saí do Brasil com lista cheia de endereços e dicas.

Eu já tinha e-mail! Enquanto vários colegas europeus da escola nao sabiam do que isso se tratava.

Ao voltar, depois de aproveitar quarenta dias de viagem entre França e Inglaterra, uma grande alegria foi ouvir "You got to show me love", que estava bombando em Londres, tocando no aeroporto de Salvador. E olhe que ainda nao havia ainda MP3, mas o intervalo de tempo para chegada das novidades era bem mais curto do que na década anterior.

Com o auxílio da internet e da comunicacao que ela proporciona, a nova geraçao é bem mais preparada. E, acredito também, mais inteligente, pela exposiçao ao grande volume de informaçoes. A garotada aprende inglês jogando videogames e vendo vídeos no Youtube. Falar mais de uma língua, que em um passado distante era privilégio de intelectuais e acadêmicos, hoje é comum. As pessoas (ao menos os nao-anglófonos) que gostam de aprender, ou que mudam de país, falam duas, três ou quatro línguas diferentes. Quanto aos anglófonos, coitados, permanecem no seu berço esplêndido limitado e nao fazem muito esforço para aprender outras línguas. Para que? A música, o cinema, a internet, as redes sociais, a comunicaçao internacional, tudo isso nao é em inglês? Entao por quê gastar energia e tempo aprendendo outra língua? Coitados.

A internet nao cansa de surpreender. Quando se acha que nao há nada mais para acontecer, surgem compartilhamento de arquivos, programas de bate-papo, os blogs, os livros eletrônicos, culminando com as redes sociais. E muita coisa ainda vem, pode crer. O Facebook, mais que o Orkut, me reaproximou de bons amigos com os quais tinha pouco contato. E me permite, a milhares de léguas de distância, em outra roça, ter notícia do que acontece, participar e me comunicar com pessoas queridas.

Os astros me proporcionaram um aspecto harmônico de Mercúrio(a comunicaçao) em Gêmeos com Urano (a inovacao tecnológica) em Libra. Acho que por isso gosto tanto desse assunto.

7.8.11

Línguas que seduzem

Ainda há muita estrada à minha frente quando se trata de inglês. Apesar de ter estudado e experimentado mais a língua inglesa do que a francesa durante a vida escolar e profissional, o mergulho no francês foi mais profundo. Vários cursos intensivos, sessoes sobre a cultura do Québec, treinamento de francês escrito, um ano de curso técnico com sete horas por dia de convívio na língua de Molière. Várias leituras de autores franceses e quebequenses durante invernos cinzentos em Montreal.

A decisao de vir para Toronto foi rápida e nao sobrou muito tempo para a dedicaçao ao inglês. O convívio em português também nao ajuda muito. Estudo de inglês no Canadá, em sala, foram apenas os quatro meses de aulas diárias em Montreal.

Com a leitura de jornais e livros, o meu vocabulário vem aumentando consideravelmente. Já consigo ler sem precisar ir toda hora ao dicionário. Às vezes um adjetivo ou advérbio fica incompreendido, mas dá para pegar o sentido geral. À medida que a lista de livros aumenta, o entendimento fica mais firme.

Mas é questao de tempo para acostumar o ouvido. Tem uma hora em que nao adianta estudar mais, pois a língua que as pessoas falam nas ruas é muito mais rápida do que a do professor na sala de aula. Entao o tempo, a convivência com os falantes e a exposicao à uma língua serao os grandes professores. Ouvir rádio e tv ajudam muito também.

Em um mundo altamente conectado, a vontade de aprender mais uma língua sempre fica martelando. Seja pela vontade de fazer uma viagem, seja pela influência de um amigo vindo de outro país, seja pela culinária, seja por uma música, seja por uma atraçao qualquer.

Quando eu morava no Brasil uma das minhas grandes vontades era poder praticar outras línguas, poder entender, falar e ler fluentemente. Esse sonho se realiza duplamente no Canadá, em inglês e francês. E, para mim, essa é uma das grandes riquezas deste país, uma das coisas que mais adoro aqui.

Mas o comichao da superficialidade está sempre à espreita. Entao, pensar em estudar mais uma língua? Calma, nada de longos estudos, pois a prioridade agora é o inglês. Mas no futuro poderá ser italiano. Ou alemao. Ou russo. Cada uma dessas línguas tem os seus atrativos e as suas dificuldades. Vejamos.

Italiano. A proximidade com o português é um grande facilitador. Há o fascínio pela culinária do país, a beleza das cidades e do seu povo. A vontade de rodar toda a bota. Como ponto negativo, a restriçao a um único país. Como uma língua tao bonita nao se expandiu mais pelo mundo?

Alemao. A língua mais falada da Europa, mas que também se restringe à Alemanha e Áustria. Ouço falar que o alemao da Suiça é quase outra língua, os suiços dizem que se chama "suiço-alemao". Tenho muita vontade de conhecer o país, mas tenho a impressao de que os alemaes mais articulados e interessantes sabem falar inglês e vao querer praticá-lo, principalmente com uma pessoa vinda do Canadá (olha eu aí me achando...). Além disso, a língua nao é fácil, tem várias declinaçoes (masculino, feminino, neutro).

Russo. O alfabeto cirílico é lindo, parece um código secreto em um filme de aventura. Está aí um grande desafio: aprender um outro alfabeto. Além disso, há várias declinacoes, conjugaçoes verbais e pouca coisa do francês ou do inglês que possa ajudar na aprendizagem do novo vocabulário. Vantagens: os russos, pelo menos os do Canadá, sao pessoas bem legais, simpáticas, gostam de conversar. Vários países do leste europeu e da Ásia falam a língua russa. Muita vontade de viajar pela Rússia, conhecer Moscou e Sao Petersburgo. E também conhecer a Ucrânia.

Entao, o que decidir? Bom, é coisa para o futuro, para daqui a alguns anos.