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21.7.12

Amigos para siempre

Tenho um dicionário de francês-português que me acompanha há uns 18 anos. E que continuo utilizando com frequência. Eu comprei esse dicionário quando não tinha a menor ideia de que um dia moraria em um país de língua francesa. Na época eu morava em uma cidade com poucas opções de cultura e diversão, que não tinha nem livraria. Pedi o dicionário via encomenda postal, para me auxiliar nas aulas de francês que tinha resolvido tomar com uma professora particular.

Tive dúvida se a Ediouro, a editora do dicionário, ainda existe. Busquei no São Google, ela está aí, presente no ciberespaço. Esse dicionário tem uma característica interessante, algo impensável atualmente: a pronúncia das palavras não é escrita na linguagem universal dos sons, mas em português. Por exemplo a pronúncia da palavra manteau (casaco) é escrita mantô.  Isso não existe mais em nenhum dicionário bilíngue, mas era algo que achava bem prático enquanto eu aprendia francês.

Os professores de línguas sempre me falaram que os dicionários bilíngues (por exemplo inglês/português, português/inglês) servem somente para o início da aprendizagem. Que a partir de um certo tempo é preciso partir para um dicionário da própria língua, que explique o significado das palavras e não faça somente a simples tradução.

Concordo, mas mesmo sabendo disso o meu velho dicionário Ediouro é companhia constante quando leio algum livro em francês, como faço agora, lendo dois ao mesmo tempo, uma coisa meio maluca. La Meilleure Part des Hommes, de Tristan Garcia, e L'appartement Témoin, de Tatiana de Rosnay.  Nem sempre acho lá tudo o que procuro, mas sempre acho que é mais fácil procurar nele, que tem menos páginas para revirar do que o Micro Robert, por exemplo.

Mas revirar páginas de dicionário está virando coisa do passado. O São Google está cada dia mais poderoso, eficiente e o seu tradutor economiza um tempo enorme de busca. E, o que é melhor, ajuda nas expressões idiomáticas, já que o site faz a tradução completa do texto. O Google Tradução eliminou o meu desejo de comprar um tradutor eletrônico, uma maquininha que vi há muitos anos nas mãos de estudantes japoneses, na época em que tudo que era eletrônico e moderno era produzido no Japão, lá pelos anos 90.

O dicionário de papel serve romanticamente de partner para o livro em papel, como um casal unido e harmônico há muito tempo. Como goiabada com queijo. Como pão com manteiga. Como hambúrguer e batatas fritas.  

31.5.12

Leitura leve

Estou descobrindo (ou reconhecendo) uma das melhores vantagens de um eReader, o leitor eletrônico: a leveza. Estou lendo um livro de 600 páginas, The Son of the Circus, do americano John Irving. Leitura, na maior parte das vezes, feita na cama, antes de dormir. Então fico olhando para o meu pequeno leitor eletrônico, levinho de 180 gramas e imaginando o peso e o volume que estaria carregando se estivesse com um exemplar impresso de 600 páginas nas mãos. Os braços agradecem.

11.11.11

De graça, para você

Imagine um estabelecimento com os produtos dispostos em estantes. Eles têm diversas cores e estampas bem convidativas.  Você vai passeando, procurando o que quer, manuseando, experimentando algumas partes. Os formatos são semelhantes. Os produtos vêm de diversas regiões do mundo, conheceram os mais diferentes cenários, se poderia dizer que falam diferentes línguas. Os produtos estão ali, à sua disposiçao, ao alcance da sua mão, para que você possa levar para casa e aproveitá-los durante algum tempo. Gratuitamente. Depois disso, se você pedir com interesse e vontade, os produtos podem ficam mais alguns dias com você. Depois eles voltam para o local de onde vieram, para que, em tempos de  consciência ecológica, possam ser reaproveitados por outras pessoas, indefinidamente. Falo dos livros e do sistema de bibliotecas públicas do Canadá.

É realmente um sistema que funciona. Pelo site, é possível fazer a consulta do que interessa. E saber se estão na estante ou emprestados, quando serão retornados. Pesquisa-se por autor, por título, por tema, por local, por língua, por tipo de publicação.

Há uma grande biblioteca central, que fica no coração de Toronto. Há várias outras nos bairros, que procuram se adequar ao local onde estão instaladas. Em região onde a comunidade chinesa é muito presente, provavelmente haverá uma grande seção de livros em mandarim ou cantonês. Na biblioteca do bairro português há a presença de muitos autores brasileiros, portugueses e outros lusófonos. Em alguns casos, os livros em francês, uma das línguas oficiais do Canadá, estão em menor quantidade do que livros estrangeiros. 

Na biblioteca St-James, a mais próxima de minha casa, depois das publicações em inglês, a maior quantidade é de livros em mandarim e tâmil (a língua do Sri Lanka). A seguir em russo, tagalog (a língua das Filipinas) e espanhol. Já vi que há alguns da chilena Isabel Allende, trouxe Mi País Inventado para casa . A quantidade é menor em francês, coreano e urdu (do Paquistao e partes da India).

Há terminais de pesquisa na internet, sala de estudos, jornais e revistas. Há também muitos CDs, DVDs, AudioBooks e E-books, que você pode baixar direto no seu computador, sem precisar nem mesmo ir na biblioteca. E, o melhor, você tem acesso a tudo isso, sem gastar nada.

14.9.11

Por aí

Vou caminhando, olhando para os vivos e conversando com os mortos. As pedras cinzentas surgem à frente, presas entre grades, como se as impedissem de voar. Tenho a impressao que vi tudo, que o filme se repete, que o novo acabou, que a roda gira e tem que girar. Que novas mordidas serao possiveis na maça universal. A paz, tao esperada, aos poucos se instala, entre desafios, angústias e alegria. Dentro do verde que ajuda a respirar, do verde que tranquiliza, do verde ao lado do cinza louco e das cores berrantes. Tudo será revivido, para o prazer ou para a insatisfaçao. É tempo de sentir as pontas perfurantes da angústia. É tempo de buscar a energia onde ela insiste em se mascarar. É tempo de simplicidade e dos poucos caprichos. É tempo de canalizar a alegria. É tempo de ousar e de recuar. É tempo de refletir, de rezar, de sonhar, de pedir, de olhar para dentro, de fazer planos. É tempo de resgatar e de querer. É tempo de descer as maos na terra e esperar para ver. É tempo de Júpiter em fim de ciclo astral.

10.9.11

The Couchsurfing Experience: da gafieira aos sinos

Couchsurfing, que literalmente significa "surfar no sofá", quer dizer conseguir hospedagem gratuita, para passar uma noite ou alguns dias, em qualquer canto da casa de alguma alma bondosa que abra as portas do seu lar doce lar. Seja para dormir em cama, sofá, colchão ou qualquer outro local com mínimo de conforto.

Essa idéia inicial, gerada a partir de um site internet (www.couchsurfing.org), ganhou o mundo e se tornou um sucesso. O site tem mais de 3 milhões de participantes.

Em um universo de pessoas cada vez mais egocêntricas e fechadas, que vivem focadas em seus computadores, seus interesses e suas redes sociais, é esperançoso ver que existe tanta gente generosa e de cabeça aberta, que abre as trancas e cadeados de suas casas aos viajantes desconhecidos, com o simples intuito de fazer o bem, conhecer pessoas, conversar e intensificar o intercâmbio cultural, seja nacional ou internacionalmente.

Se não quiser hospedar ou conseguir hospedagem, o participante do Couchsurfing pode se disponibilizar apenas para sair para tomar um café ou um drink com o visitante. E, a partir daí, trocar informações sobre a cultura local, ir mostrar a cidade, ou apenas conversar. Ainda que não haja impedimento para isso acontecer, a princípio o Couchsurfing não é um site de paquera.

Existem tambem os grupos das cidades e de temas específicos. Participar em um desses grupos é uma ótima fonte de informações do que está acontecendo. Eventos, descontos, convites, etc. As pessoas combinam as mais diversas programações. Intercambios linguisticos, pique-niques, festas, cafés. Visitantes convidam os nativos para tomar uma cerveja ou um café. Pedem indicações de bons restaurantes, atrações turísticas, bares e casas noturnas. Os moradores da cidade combinam entre si jantares e passeios e aproveitam para ciceronear os visitantes.

A minha aventura Couchsurfing comecou ainda no Brasil, em 2007. Eu me cadastrei no intuito de praticar francês e inglês, durante a minha estadia em Ilhéus, enquanto aguardava o visto canadense. Cheguei a fazer alguns contatos, mas não aconteceu de sair para café, drinque e mostrar a cidade para ninguém.

Chegando no Canadá, a participação tomou corpo. O norte-americano é tido como frio e distante, muito focado em suas ações, mas adora se reunir em grupos, em torno de um objetivo em comum, seja atividade filantrópica ou diversão. Então algum tipo de objetivo é necessário para que os encontros sociais se realizem e as pessoas se aproximem.

Existe um outro site, chamado Meet-up (www.meetup.com), que também é bastante utilizado para organizar reuniões. E, olhe, tem gente se reunindo para tudo, desde caminhar no parque até aprender japonês.

Em Montréal, a partir de um convite para um evento linguístico francês-português do CS, eu, outros brasileiros e mais um grupo de québécois interessados em português e na cultura brasileira, começamos a frequentar um bar e casa de shows chamada Les Bobards, onde aos domingos sempre rola música do Brasil para dançar. A gente ficava tomando cerveja, enrolando a língua, ensinando um pouco da sua linguagem nativa e aprimorando a estrangeira.

Conheci pessoas muito interessantes, com as quais mantenho contato até hoje. Depois da sessão de trocas linguísticas era a hora de música e dança. Havia um outro grupo que aprendia e praticava gafieira, ao som de música mecânica ou do grupo que se apresentava. E que nos dava dicas de como dançar o samba em dupla. Depois de praticar português e francês, era hora de mexer o esqueleto.

Em Montréal, tambem tomei muitos cafes servindo de pretexto para praticar frances e ensinar portugues.

Em Toronto, com menos tempo disponível, a minha participação no Couchsurfing ficou reservada ao Toronto Babel Language, um evento que ocorre semanalmente em um bar e onde as pessoas sao convidadas ao intercâmbio linguístico. Neste evento, um retrato do que é Toronto, é possível conhecer gente do mundo todo e praticar línguas inimagináveis. Até inglês.

No último final de semana participei de um jantar organizado por um participante do Couchsurfing. Ele preparou o jantar, cobrou uma taxa mínima e cada um levou sua bebida. O risotto de parmesão estava uma delícia. Conheci gente bem interessante. Da China, da França, da Tunísia. Até do Canadá! Depois fomos para a despedida de um rapaz italiano que, depois de alguns meses em Toronto e muitos eventos Couchsurfing, estava voltando para o seu país.

Um dos canadenses que estava no jantar faz um trabalho genial. É professor de música e toca carrilhao (o conjunto de sinos) em uma grande igreja de Toronto. Ele promove, gratuitamente, um passeio pela igreja onde trabalha e uma apresentação musical naquele que é um dos 11 carrilhoes do Canadá. Para ser considerado um carrilhao, sao necessários pelo menos 50 sinos.

Por dentro da Metropolitan United Church

Entao na mesma semana, fui ver o pequeno show e conhecer a igreja, que fica em um ponto bem central da cidade. Para conferir a apresentaçao musical as pessoas sobem um monte de degraus em uma escada estreita e em caracol. Em outra etapa, o grupo sobe mais escadas e chega até o teto da Igreja, de onde se tem uma bela vista de Toronto. Depois o grupo saiu para jantar em um restaurante bem canadense. Como sempre, nessas ocasioes, peço a especialidade da casa. Hambúrguer de carne Angus com batatas fritas e salada. Simples e bom.

Vista da outra capela, a partir do teto

Os sinos

O aparelho que faz os sinos soarem

Crédito da foto da dança: Dioni Pereira.

22.8.11

A bicicleta e a carroça

O movimento de incentivo ao uso de bicicleta nas grandes cidades me traz um gosto de passado. Passado porque é um retorno à época em que o automóvel não existia ou era algo a que a população ainda não tinha acesso. Quem poderia imaginar que após décadas sonhando em ter um veículo motorizado, as pessoas voltariam a desejar poder passear ou se locomover de bicicleta pelas ruas da cidade?

Os benefícios todo mundo já sabe, e os governos, pelo menos os mais esclarecidos, têm incentivado e criado condições, leia-se ciclovias, "bike lanes" ou "pistes ciclables" para o uso das magrelas. Em Toronto e Montréal há inclusive biclicletas públicas, alugáveis por qualquer pessoa. Os resultados são: melhoria das condiçoes de saúde da população, com a consequente economia de recursos da saúde pública, diminuição da poluição e dos engarrafamentos, socialização, economia doméstica do valor pago ao transporte ou ao combustível.

O passe mensal de metrô e ônibus em Toronto custa 121 dólares. Com esse valor compra-se uma bike usada ou nova em promoção na loja. Se a distância entre casa e trabalho permite o deslocamento via duas rodas, em um mês a bike já se pagou. Além de tudo isso, ainda há a diminuição do stress do trânsito para quem dirige.

Circular de bicicleta faz parte da minha história. Desde a pré-adolescência, quando o "camelo" ficava hospedado na casa dos meus avós, porque a minha casa era localizada em um morro com uma ladeira enorme, impossível de ser vencida com a força do pedal. Depois, com a ida para Salvador, outra terra de imensas ladeiras, onde o uso da bike só é possível na parte atlântica, as duas rodas viraram parte do passado.

Quando morei em Barreiras, no Oeste da Bahia, onde trabalhei por quatro anos e meio, retornei ao prazer de pedalar e passei muito tempo me deslocando de bicicleta. Nada se comparava ao sabor do vento, à sensação de liberdade e de relaxamento que o ciclismo trazia. A cidade é plana e eu vivia rodando para cima e para baixo. Pegava estradas vicinais e ia fazer trilhas em busca dos inúmeros rios de água cristalina que se espalham pela região.

Mas nem sempre as pessoas entendem os gostos pessoais, preferindo os gostos médios ditados pela sociedade de consumo. Em Barreiras, eu tinha um amigo de El Salvador (ou seria Nicarágua, nao lembro mais), um agrônomo e professor universitário, que se locomovia, inclusive para ir às aulas, em uma bike bem velhinha. Dessas que hoje faria o maior sucesso entre os hipsters. Veja aqui o que é isso.

A tal bicicleta não era bem vista pelos alunos. Era quase detestada.

Eles, principalmente as garotas, achavam que o mestre deveria ter um carro, algo mais compatível com o seu status de professor universitário. E de solteiro, diga-se de passagem. Mas ele nem ligava, gostava mesmo era de pedalar. Ou de economizar dinheiro e, de quebra, ter mais saúde e boa forma física.

Naquela cidade, eu usava a bicicleta para ir a todos os locais, mas nem precisava para ir ao trabalho. Eu morava perto, então ia andando. Tambem não saía à noite de bike para festas, como já vi várias pessoas fazendo em Montréal e Toronto, quando o clima e a temperatura permitem.

Sempre que eu saía para algum bar ou festa, voltava de carona, ou mesmo a pé. Cidade pequena, tudo perto. Eu até gostava, pois acabava fazendo novas amizades com quem me dava carona. Só uma vez, eu me lembro, o transporte foi bem diferente.

A festa tinha acabado, o dia já estava claro. Em Barreiras, a rodovia federal corta a cidade pelo meio. Eu e mais duas amigas estávamos na beira dessa estrada, sem transporte público ou carona disponível. Então nós pedimos ajuda a um carroceiro que ia passando.

Ele foi gentil e nos permitiu o acesso ao seu veículo movido a suor animal, de potência 1 HP. Lá fomos nós, voltando para o centro da cidade em cima da carroça, rebocada por um cavalo. Cavalo não, certamente um burro ou jegue. E a gente se divertindo um bocado, dando risada da cena, com o teor alcoólico talvez ainda alto, achando tudo engraçado. Rindo até das mercadorias, das frutas e verduras que dividiam o espaço conosco, e que nos olhavam desconfiadas. O carroceiro provavelmente estava indo para a feira.

15.5.11

Faux European manners

Por ter morado dois anos em Montréal e prestes a completar um ano em Toronto, tive e tenho a oportunidade de conhecer as culturas de origem francesa e inglesa que formam o Canadá. Tive o privilégio, assim considero, de vivenciar as duas culturas na pele de um observador estrangeiro.

Os modos franceses indiscutivelmente se parecem mais com os brasileiros. Português e francês sao línguas provenientes do latim e compartilham muitas palavras e entonaçoes. Alguns hábitos também se assemelham. Como, por exemplo, beijar no rosto ao cumprimentar alguém.

O beijo no rosto, na forma de cumprimento, parece ser algo que fascina e aterroriza ingleses, americanos e canadenses, seres de fala e de cultura anglo-saxônica. Mais de uma vez já li sobre o ato de beijar no rosto como se fosse uma prova de emotividade exacerbada. Uma vez foi em um jornal em Montréal, escrito por uma cronista/jornalista de um periódico em inglês. Outra vez foi no livro que estou lendo agora, One Fifth Avenue, da americana Candace Bushnell, conhecida por ser a autora do livro Sex and the City, que deu origem à famosa série de TV.

Madame Bushnell diz em uma breve passagem que beijar no rosto é uma "faux European manner", ou seja, diz que quando um americano beija no rosto, é uma maneira falsa e afetada de mostrar comportamento europeu. Breve tentativa de provar falso refinamento. Como se beijar no rosto fosse privilégio dos europeus.

Na cultura latina brasileira, beijam-se mulheres entre mulheres, homens com mulheres e homens com homens caso haja um grande vínculo familiar ou de amizade. Entre espécies de outras culturas, como árabes, iranianos e indianos, o beijo no rosto entre os homens faz parte da rotina e dos maneirismos sociais.

Mudar de país e de cultura implica em adaptaçao. Entao, nada de grandes manifestaçoes de afeto no Canadá inglês. Se é que o fato de cumprimentar com beijo no rosto pode ser considerado como grande demonstraçao de afeto. Entre os seres canadenses ingleses, o ápice da simpatia consiste na frase "How are you doing?", ou seja, "Como vai você?". Dita de modo enfático, com uma cara simpática. E só. Quem mergulha nessa cultura acaba mudando a maneira de agir e interagir. Quem era acostumado a distribuir beijocas, termina por esquecer (ou negar)o beijo no rosto, que dali para a frente fica lhe parecendo aberraçao.

No caminho da adaptaçao dentro de uma cultura, as pessoas se esquecem que o mundo é mais amplo que parece. Que os beijos no rosto como cumprimentos sao mais disseminados pelo planeta do que a pobre cultura norte-americana e inglesa é levada a crer. O próprio Canadá francês está aí para provar.