7.5.08

Raízes

A minha trisavó - é assim que se chama a mãe da bisavó ou do bisavô - ficou viúva cedo. O meu bisavô era pequeno. Ela se casou novamente e teve mais uns cinco filhos com o segundo marido. O meu bisavô teve 8 filhos, entre eles minha avó materna. Os meio-irmãos do meu bisavô tiveram outros inúmeros filhos. O resultado é que a minha avó tinha vários primos carnais. Tanto do lado paterno como do lado materno. Ela faleceu em 2005, aos 90 anos.

Hoje foi aniversário de 90 anos de uma das primas. Até a geração dos bisnetos estava presente. Alguns deles já são adultos.

Um fato curioso aqui em Ilhéus é a pouca mobilidade de algumas famílias. Do lado materno, tenho informações de pessoas que chegaram na cidade em 1822. E seus descendentes aqui permanecem. Seguindo essa linhagem, faço parte da sexta geração, contada a partir de um certo alemão que veio para a Bahia ainda criança e se instalou na estrada Ilhéus-Itabuna, onde plantou cacau.

Em outra linhagem, a partir de um padre, um dos dois primeiros ordenados em Ilhéus - e que não largou a batina! -, também faço parte da sexta geração.

A senhora que aniversariava não teve filhos. Viúva, morava sozinha em Salvador. Foi convencida a voltar para a cidade natal para ficar mais perto das irmãs. Mas ela não entregou os pontos. Mora só, cuida da casa e da comida, tem somente uma faxineira que aparece semanalmente.

Duas de suas sobrinhas, cozinheiras e organizadoras de bufês, prepararam as delícias doces e salgadas. Os amigos, as irmãs, sobrinhos, primos, primos em segundo e terceiro grau (olha eu aí!), sobrinhos-netos e sobrinhos-bisnetos encheram a casa. "Não sabia que eu era tão querida", ela me confessou emocionada.

Encontrei duas amigas de colégio que não via há décadas. Elas são casadas com parentes distantes. Uma ficou grávida adolescente, tem filho adulto. Elas brincaram dizendo que estou conservado em formol. Elas também não ficam atrás, estão bem fisicamente.

Apesar de admirar a permanência no local de origem e a manutenção das raízes, eu quero partir. Vou fazer o caminho inverso dos ancestrais. A diferença é que agora p mundo é outro. As distâncias são menores e mais baratas de serem vencidas. Voltarei sempre para me reabastecer. Não é das raízes que vem a força?

5 comments:

Henrique said...

Ola!
Muito interessante o seu blog. Dá pra perceber que você é apaixonado por Ilhéus, e por isso mesmo gostaria de fazer uma pergunta: a cidade é realmente boa de se morar?
Sou paulistano e no ano que vem me mando para a Bahia (tenho a opção de trabalhar em Itabuna) e só ouvi falar bem de Ilhéus.
O custo de vida (aluguel e condominio, principalmente) é alto?
O povo é receptivo e simpático?
Enfim, vive-se bem em Ilhéus?
Sou jovem e solteiro e pretendo me aventurar bem longe da minha terra.
Será a cidade um destino adequado?

danilo said...

Oi Henrique! A cidade eh muito bonita, tem belas praias, boa qualidade de vida. Mas acho um tanto parada. Faltam opcoes noturnas. O povo eh simpatico. Tem aluguel para todos os bolsos. Da para achar boas casas e apartamentos em predios menores, sem condominio. Mande seu e-mail para trocarmos mais informacoes. Abracos, Danilo.

Henrique said...

Obrigado pela resposta!
Meu email é hencrow@hotmail.com

Me mande uma msg para que eu possa te escrever minhas perguntas.

Obrigado!

Juliana said...

Que massa, Dan! Gostaria de saber mais sobre as minhas origens, mas só conheço até a segunda geração anterior a minha, e o povo da minha família nunca foi muito ligado em genealogia e preservação das tradições.
Sou vira-lata! Buá, buá...risos

naturline said...

Adar com um texto maravilhoso.
muito boas, mo' gostou muito, da mesma maneira que o blog, obrigado muito