27.3.09

Dia-a-dia

O curso segue, os professores têm elogiado a turma. É interessante ouvir isso. Nunca havia passado por essa experiência, de ter professores que se derramam em elogios. Eu atribuo uma boa parte deste sucesso ao fato de que vários alunos já tem experiência profissional (e idade!), o que os torna, talvez, mais concentrados e dispostos. Não sei se é bem isso, ou se será uma boa conjunção astral, o fato é que está sendo bem proveitoso.

Estou fazendo o processo inverso. Voltei a estudar coisas que sabia na prática, mas que nunca havia estudado na teoria. Normalmente é o contrário, não é? Bom, além de qualificação técnica, percebo que a minha compreensão do sotaque local melhora a cada dia. Consigo entender as piadas e os diálogos dos demais, o que não acontecia há uns dois meses. Mas, ainda assim, é um grande esforço entender a língua e absorver os novos conhecimentos.

A professora de redação técnica em francês me elogiou, disse que já estou escrevendo melhor do que muitos canadenses. Ela disse (não a mim, um colega me contou) que eu me preocupo em utilisar termos, digamos, não usuais, mais elaborados. E ainda isse que é um prazer me ter como aluno. Eta que o ego foi lá para cima, não consegui segurar a satisfação de ouvir tudo isso.

Para continuar melhorando o meu francês, estou tentando fazer uma rotina de leitura. Além do que li quando estava o Brasil, estou no segundo livro de Nelly Arcan (tem um link aí do lado), escritora que tem uma coluna no jornal semanal Ici. Mulher moderna e liberada, ela não tem receio de abordar temas picantes, inclusive na mídia impressa.

Um fato bacana é que ela retrata o bairro em que estou morando, o Plateau Mont-Royal. Ela cita inclusive nomes de ruas, bares, academia de ginástica, cafés. O trabalho dela é interessante para entender - ou ao menos conhecer mais - a cabeça das pessoas de Montréal e ficar atento ao que se passa.

Biblioteca do Plateau

Acabei de pegar o livro na biblioteca do "arrondissement", ou seja, do bairro. Ela fica na saída do mêtro, no caminho de casa. Fiz isso sem pagar nada, com direito a ficar com ele durante três semanas. Coisas boas da vida nesta cidade.

Sempre há boas opções, além de baratas, nas livrarias dos usados. Mas, como não tenho onde colocar mais nada, descobri que prefiro não comprar livros. Só pegar emprestado. Economizo grana, reciclo, colaboro para diminuir a poluição do mundo e não junto tralhas.

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