24.5.04

Os doces baianos
Trabalhar em escritório é bem assim: come-se o dia inteiro, com poucos intervalos. Comer se torna uma certa válvula de escape para a mesmice que empurra os dias corporativos.

Hoje, alguém resolveu comprar uma torta de tapioca. Deliciosa. Pronto, foi o suficiente para atiçar o apetite de todos. Há uma peregrinação incansável à copa. A torta é imensa. Daquelas com cobertura de doce de leite. Guloseima bem comum na cozinha baiana, pode ser encontrada com facilidade nos tabuleiros da "baianas" que, em lugar de vender acarajé e abará, vendem tortas e doces.

No Porto da Barra, no domingo, sempre dá para encontrar alguma dessas baianas em trajes típicos. Há alguns anos, naquela região, existia a Ceia do Porto. Era uma reunião de baianas que vendiam comidas e doces. Cocadas, doce de tamarindo, amoda, bolo de tapioca, carimã e aipim. Entre os pratos salgados, torta de bacalhau, frigideira de repolho e camarão, caruru completo. Era mais que uma ceia, era um banquete.

Quando eu ainda era pré-adolescente, vim uma vez a Salvador. Fiquei com uns primos mais velhos, que já estudavam por aqui. Passamos no Porto para a ceia. Era início dos anos oitenta, ainda havia no ar um clima de contracultura. Meu primo acendeu um e ficou fumando na balaustrada. Quando estávamos indo embora, a irmã dele reclamou: "O carro vai ficar fedendo". Eu, pobre criança inocente, não entendi nada.

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